O Paraná foi o único estado brasileiro a superar o desempenho esperado nas três áreas avaliadas pelo Pisa — matemática, leitura e ciências — após o resultado ser ajustado pelo nível socioeconômico dos estudantes. Em matemática, 21 estados ficaram abaixo da expectativa, o maior número entre as três disciplinas.
O Pisa é organizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e avalia jovens de 15 anos de escolas públicas e particulares. A edição mais recente reuniu 91 países. O levantamento considera matemática, leitura e ciências.
Para comparar os resultados estaduais, pesquisadores do Iede adaptaram as notas levando em conta três dimensões: escolaridade dos pais, status profissional mais alto da família e recursos e bens disponíveis em casa, como livros, computadores e acesso à internet. A escala usada tem como referência o perfil médio dos países da OCDE.
Resultados em matemática
O Paraná teve o melhor desempenho relativo, com 15 pontos acima do esperado para seu contexto socioeconômico. Ceará, Minas Gerais e Piauí também ficaram acima da expectativa. O Ceará alcançou 363,3 pontos na disciplina e terminou 10,5 pontos acima do resultado previsto para seu perfil.
Roraima apresentou o pior resultado relativo do país, com desempenho 50,2 pontos abaixo da expectativa. Tocantins, Amapá e Amazonas também ficaram entre as cinco maiores diferenças negativas. Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul tiveram resultados abaixo do previsto, apesar de estarem entre os estados com maior nível socioeconômico.
São Paulo obteve 403,8 pontos em matemática, 433,7 em leitura e 442,6 em ciências nos rankings sem ajuste. Porém, na comparação com o desempenho esperado para seu contexto, a diferença positiva em matemática foi de apenas 2,3 pontos, a menor margem entre os cinco estados que superaram a expectativa na disciplina.
Leitura e ciências
Leitura foi a área com melhor desempenho relativo. Vinte e quatro dos 27 estados superaram a expectativa para seus indicadores socioeconômicos. Roraima, Tocantins e Mato Grosso foram os únicos abaixo do esperado. Mato Grosso teve a menor diferença negativa entre todas as áreas, com -1,0 ponto.
O Paraná liderou novamente, com 39,8 pontos acima do previsto. Minas Gerais ficou 29,6 pontos acima, e São Paulo, 27,3 pontos. Roraima registrou o pior resultado relativo, com 40,4 pontos abaixo da expectativa. O Distrito Federal ficou levemente abaixo do esperado, com -0,5 ponto.
Em ciências, o Paraná também teve a maior diferença positiva, com 59 pontos acima do resultado projetado. Minas Gerais alcançou +52,9, e Ceará, +49,7. Roraima voltou a apresentar o pior desempenho relativo. Os estados do Norte — Roraima, Tocantins, Amapá e Amazonas — concentraram as posições mais baixas nas comparações relativas.
O Rio de Janeiro ficou abaixo do esperado em duas das três áreas avaliadas. Já o Paraná alcançou 462 pontos em ciências e 458 em leitura. Considerando o limite inferior do intervalo de confiança, o estado ultrapassou a faixa de 450 pontos nas duas disciplinas.
Como o contexto é calculado
O indicador socioeconômico reúne o maior nível educacional alcançado pelo pai ou pela mãe, convertido em anos estimados de estudo; a posição profissional mais alta entre os responsáveis; e uma medida aproximada da riqueza familiar.
Entre os recursos analisados estão livros educacionais, espaço próprio para estudar, computadores e disponibilidade de internet. O Distrito Federal tinha 15,6% dos jovens de 15 anos com pais ou mães que estudaram somente até o 9º ano. No Piauí, esse índice era de 30,5%.
A análise também considera a situação ocupacional dos responsáveis, que pode afetar a renda, a previsibilidade da rotina familiar e a necessidade de crianças ou adolescentes assumirem trabalho ou tarefas domésticas.
Katia Smole, diretora do Instituto Reúna, afirma que as dificuldades em matemática podem começar antes dos 15 anos, porque a disciplina depende do domínio acumulado de conceitos. Ricardo Henriques, superintendente executivo do Instituto Unibanco, diz que resultados acima do projetado podem indicar que políticas educacionais reduziram parte do efeito das desigualdades.
Comparação entre 2015 e 2025
A comparação das médias de 2015 e 2025 exige cautela. Como as amostras de estudantes são pequenas, as margens de erro informadas pela OCDE são significativas. Ernesto Martins, diretor-fundador do Iede, afirma que os intervalos de confiança dos dois anos se sobrepõem na maioria das comparações, o que impede confirmar estatisticamente muitas variações.
Em São Paulo, só foi possível constatar evolução no intervalo de 10 anos em ciências. As notas de matemática e leitura de 2015 e 2025 se sobrepõem quando considerada a margem de erro. Assim, não é possível determinar se houve melhora, estagnação ou piora nessas disciplinas.
Os pesquisadores também alertam que a comparação entre redes pública e privada pode ser ainda mais instável quando poucas escolas particulares participam da avaliação, elevando os erros-padrão das médias e dificultando a construção de rankings.







