O Brasil manteve estabilidade no desempenho do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) desde 2015, enquanto países ricos registraram queda em áreas como Leitura, Matemática e Ciências. Os resultados foram divulgados nesta terça-feira, 8, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), responsável pela avaliação de estudantes de 15 anos.
A edição de 2025 reuniu dados de 91 países e economias. No Brasil, participaram 30.140 estudantes de 1.053 escolas. Além de Ciências, Matemática e Leitura, o exame avaliou, pela primeira vez, a capacidade de resolver problemas com ferramentas computacionais.
O país foi classificado como de baixo desempenho em três das quatro áreas. Em Leitura, ficou abaixo da média, patamar considerado superior aos demais resultados brasileiros, mas ainda inferior ao desempenho médio dos países da OCDE.
Desempenho brasileiro por área
Em Leitura, o Brasil ocupou a 52ª posição, atrás do Chile, na 37ª, e do Uruguai, na 42ª. Os estudantes alcançaram 408 pontos em 2025, contra 410 em 2022 e 407 há 10 anos. A OCDE considerou a variação estatisticamente estável.
Cerca de 49% dos estudantes brasileiros atingiram pelo menos o nível 2 de proficiência em Leitura, ante 69% na OCDE. Nesse nível, os alunos conseguem compreender textos simples, localizar informações, relacionar dados e avaliar a credibilidade de um texto.
Em Ciências, o Brasil ficou na 67ª posição. A pontuação subiu de 401 em 2015 para 409 em 2025, depois de alcançar 403 em 2022. O país também ficou atrás do Uruguai, na 42ª posição, do Chile, na 43ª, e da Colômbia, na 63ª.
Quase metade dos estudantes brasileiros, 48%, alcançou ao menos o nível 2 em Ciências. Eles conseguem reconhecer explicações para fenômenos familiares e verificar a validade de conclusões com base em informações fornecidas, mas ainda têm dificuldades para avaliar evidências e fundamentar decisões.
Na resolução de problemas com ferramentas computacionais, o Brasil ficou na 69ª posição, com 406 pontos. O resultado veio atrás do Chile, na 43ª, do Peru, na 58ª, da Colômbia, na 60ª, e do Equador, na 66ª. Nesse nível, os estudantes interagem de maneira superficial com ferramentas digitais e conseguem fazer pequenas alterações em programas simples.
Matemática concentra o pior resultado
Matemática foi a área de pior desempenho do Brasil. O país ficou na 71ª colocação, com 377 pontos em 2025 — a mesma pontuação de 10 anos atrás e dois pontos abaixo dos 379 registrados em 2022. A média da OCDE foi de 463, uma diferença de 86 pontos.
Apenas 28% dos estudantes brasileiros alcançaram o nível 2 de proficiência, enquanto a média da OCDE foi de 65%. Nesse patamar, o aluno consegue interpretar situações simples matematicamente, comparar distâncias entre rotas e converter preços para outra moeda.
Segundo os dados da avaliação, quase nenhum estudante brasileiro atingiu as faixas 5 ou 6, que indicam alto desempenho. O relatório também aponta que estudantes da Áustria, da Escócia, no Reino Unido, e de Singapura apresentaram, ao longo de um ano, progresso aproximadamente duas vezes maior que o de um estudante brasileiro.
Distância em relação aos países ricos
A OCDE informou que o Brasil foi o único país a ampliar significativamente sua participação no Pisa e manter estável o desempenho dos estudantes desde 2015. Entre os países que aumentaram a cobertura do exame, apenas Camboja, República Dominicana e El Salvador registraram crescimento em alguma das três áreas principais.
Nos países mais ricos, 20% dos estudantes de 15 anos apresentaram baixo desempenho em Leitura, Matemática e Ciências, contra 16% em 2022. A maior queda ocorreu em Leitura, em três quartos dos sistemas educacionais entre 2018 e 2025. Dinamarca, Noruega, Espanha e Suécia tiveram reduções superiores a 20 pontos. O Reino Unido manteve a mesma nota em Leitura.
O Ministério da Educação afirmou que o Brasil teve maior estabilidade e recuperação após a pandemia de covid-19 do que a média da OCDE. Também declarou que, entre 2018 e 2025, o país superou o desempenho pré-pandemia em Ciências e teve perdas menores que a média da organização em Leitura e Matemática.
Em cerca de duas décadas, o Brasil reduziu a diferença em relação aos países da OCDE. Em Leitura, a distância caiu de 102 pontos em 2006 para 58 pontos em 2025. Em Ciências, passou de 113 para 77 pontos no mesmo intervalo. Em Matemática, recuou de 131 pontos em 2006 para 92 pontos em 2025.








