O pole dance ganhou espaço em estúdios, competições, espetáculos e atividades esportivas, mas ainda é associado por parte do público à sensualidade e ao entretenimento erótico. Para profissionais da área, essa visão reduz uma prática que envolve força, técnica, flexibilidade, preparo físico e expressão corporal a um único estereótipo.
A instrutora e empreendedora Beatriz Hamamoto Sobral, de 29 anos, conta que já ouviu comentários relacionando automaticamente praticantes de pole dance ao trabalho como stripper. Na avaliação dela, ampliar o conhecimento sobre as diferentes formas de praticar e trabalhar com a modalidade é uma maneira de enfrentar esse preconceito.
O pole dance reúne dança, acrobacias, giros, figuras, transições, musicalidade e expressão corporal. No pole esporte, o foco está na força, na resistência, na execução técnica e no desempenho físico. Tanto essa vertente quanto a artística exigem progressão, preparo muscular e orientação adequada.
A modalidade tem uma história ligada a diferentes formas de performance corporal, como o burlesque, o circo e o entretenimento erótico. Para Beatriz, essa trajetória não deve ser apagada, mas também não pode ser usada para definir todas as pessoas que praticam ou trabalham com pole. Uma pessoa pode atuar em um clube de strip, enquanto outra pode ser professora, atleta ou performer em espetáculos.
Formação e segurança
O ensino exige conhecimento sobre progressões, limites individuais e necessidades de diferentes corpos. Como os movimentos podem envolver suspensão do corpo, força, flexibilidade e variados níveis de complexidade, a preparação técnica é parte importante do trabalho profissional. “A evolução deve acontecer de maneira gradual, evitando sobrecargas e possíveis lesões”, afirma Beatriz.
Ela começou a praticar pole em 2017, aos 20 anos, depois de experimentar uma aula aos 16. Na época, a atividade complementava a renda enquanto cursava Letras-Tradução na Universidade de Brasília e trabalhava como tradutora. Com o crescimento das turmas, as aulas passaram a representar uma renda maior que os trabalhos de tradução. Atualmente, Beatriz soma nove anos de prática, sete anos como professora e três anos à frente do próprio estúdio.
Além do condicionamento físico, a modalidade trabalha força muscular, mobilidade, coordenação, resistência, postura, consciência corporal e expressão. Segundo a instrutora, muitas pessoas chegam motivadas por questões estéticas, mas passam a perceber o corpo também por suas capacidades, conquistas e possibilidades de movimento.
Profissionais ressaltam ainda que não existe um corpo ideal para praticar pole dance. Pessoas com diferentes idades, biotipos e níveis de condicionamento podem começar, desde que respeitem os próprios limites e tenham acompanhamento adequado. Embora seja praticado majoritariamente por mulheres, o pole também é praticado por homens em propostas esportivas e artísticas.
A presença da modalidade em escolas de dança, teatros, competições, eventos, shows e espetáculos pode ampliar a percepção do público. Para Beatriz, reconhecer essa diversidade significa compreender que o pole dance também envolve esporte, arte, dança, acrobacia, força e autoconhecimento, além da sensualidade. O reconhecimento profissional passa por evidenciar a técnica, o estudo, o planejamento, a responsabilidade e o trabalho presentes em cada movimento.







