SANTA CATARINA — Jaguaruna, Laguna e Imbituba tiveram alagamentos nesta segunda-feira, 21 de setembro, após o nível do mar subir. A Defesa Civil de Santa Catarina atribuiu o episódio a um tsunami meteorológico, associado à presença de nuvens carregadas e à atuação de ventos fortes sobre o mar.
O fenômeno também é chamado de meteotsunami. De acordo com Robson Lucas, professor de geografia do Colégio Sigma, ele se forma a partir de mudanças repentinas na pressão atmosférica, e não pelos mesmos processos ligados aos tsunamis convencionais.
"O tsunami meteorológico é uma alteração rápida e anormal do nível do mar provocada por perturbações atmosféricas", explica o professor. Entre as condições relacionadas ao evento estão quedas ou elevações súbitas da pressão, vendavais, oscilações térmicas e deslocamentos incomuns de ventos e nuvens.
Diferença para os tsunamis convencionais
Os tsunamis convencionais produzem ondas mecânicas a partir da liberação rápida e da troca de energia em processos como tectonismo ou vulcanismo. No meteotsunami, a alteração do nível do mar está ligada à pressão atmosférica e a condições meteorológicas fora do padrão de normalidade.
Lucas afirma ainda que o El Niño tem provocado alterações atmosféricas que favorecem a recorrência de fenômenos climáticos antes considerados atípicos ou menos frequentes.
Relação com o Super El Niño
Sebastian Fuentes, professor de Geografia do Curso Anglo e do Colégio Anglo São Paulo, disse que setembro costuma ser marcado por chuvas no Sul. Segundo ele, a região passa por eventos extremos que intensificam a atuação do El Niño, levando à formação de um Super El Niño.
O professor relaciona a intensificação do fenômeno a ações humanas que aumentaram o aquecimento e aceleraram as mudanças climáticas. Entre os efeitos citados estão eventos extremos, como as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024, além de impactos sociais e econômicos e da necessidade de cidades adaptadas às mudanças climáticas.








