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Ciência

Isótopos em concha de caracol identificam chuvas ligadas a ciclones na Austrália

Análise de um caracol de Queensland relacionou alterações na concha a episódios extremos de precipitação em 2015 e 2017.

Isótopos em concha de caracol identificam chuvas ligadas a ciclones na Austrália

Uma concha de caracol terrestre preservou marcas de mudanças ambientais associadas a dois episódios de chuva extrema na Austrália. A análise identificou alterações nos isótopos de oxigênio compatíveis com a passagem dos ciclones tropicais Marcia e Debbie, registrados na região em 2015 e 2017, respectivamente.

O exemplar pertence à espécie Figuladra bayensis, conhecida como Biggenden Banded Snail, e foi encontrado no Parque Nacional Coalstoun Lakes, em Queensland. O animal foi coletado em 2018, pouco depois de morrer. Com a datação por radiocarbono, os pesquisadores estimaram que ele viveu cerca de quatro anos e meio.

A pesquisa foi publicada em 28 de agosto na revista científica The Holocene. Para investigar a formação da concha, a equipe retirou 200 pequenas amostras destinadas à análise de isótopos e outras oito para a datação por radiocarbono.

A concha cresce com o acréscimo de camadas em sua abertura. Durante esse processo, o material incorpora isótopos estáveis de oxigênio e carbono, que podem variar conforme chuva, temperatura, umidade, alimentação e processos fisiológicos do animal.

As oscilações menores nos isótopos de oxigênio foram relacionadas às mudanças sazonais. Já as duas maiores alterações, de aproximadamente 6‰, coincidiram com períodos associados aos ciclones Marcia e Debbie. O crescimento acelerado da concha apareceu depois desses episódios de precipitação intensa.

Inicialmente, os cientistas consideravam que o desenvolvimento mais rápido poderia estar ligado apenas a anos mais chuvosos, nos quais a oferta de água favoreceria a vegetação e a alimentação. Os resultados, porém, apontaram uma relação mais específica com eventos extremos. No modelo desenvolvido pelos pesquisadores, variações próximas de 2‰ foram compatíveis com as estações, enquanto mudanças acima de 5‰ foram associadas a chuvas extremas.

Os isótopos de carbono indicaram principalmente alterações na alimentação do caracol durante as estações e conforme o animal amadurecia. O carbono-14 também permitiu estimar quando diferentes trechos da concha haviam se formado e comparar o crescimento com registros meteorológicos da região.

A datação utilizou ainda o chamado “carbono da bomba”, marca deixada pelo aumento do radiocarbono atmosférico provocado por testes nucleares realizados no século 20. Essa assinatura foi incorporada aos organismos e serviu como referência para materiais relativamente recentes.

Os autores avaliam que conchas preservadas no solo ou em sedimentos podem ajudar a investigar eventos climáticos anteriores aos registros meteorológicos modernos. A possibilidade ainda precisa ser confirmada: o estudo examinou apenas uma concha moderna, e os modelos que relacionam idade e crescimento têm incertezas. A equipe pretende analisar exemplares de diferentes camadas de sedimentos para avaliar o alcance do método.

Texto produzido pela Redação Rota do Saber com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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