Uma pesquisa brasileira selecionou oito exoplanetas já conhecidos que podem contribuir para estudos sobre habitabilidade. O trabalho foi desenvolvido por Fábio Calabrio Evangelista da Silva, aluno de mestrado em Astronomia do Observatório Nacional (ON), sob orientação do pesquisador Marcelo Borges Fernandes.
Intitulado “Identificação e caracterização de planetas rochosos astrobiologicamente interessantes”, o estudo foi incluído na relação oficial de pôsteres aprovados pela Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), na área de Astrobiologia.
A seleção foi feita a partir de informações do NASA Exoplanet Archive, banco de dados da agência espacial norte-americana que reúne milhares de planetas confirmados fora do Sistema Solar. O pesquisador avaliou características dos mundos catalogados e identificou oito candidatos considerados particularmente interessantes para investigações sobre condições favoráveis à vida.
Critérios analisados
As pesquisas sobre habitabilidade consideram fatores físicos e orbitais, como massa, temperatura estimada e distância até a estrela. Também é analisada a chamada zona habitável: a região ao redor de uma estrela na qual as condições podem permitir a existência de água líquida.
A presença de um planeta nessa região, porém, não confirma a existência de água ou vida. Atmosfera, pressão, composição química e atividade estelar podem modificar as condições na superfície.
Entre os exoplanetas destacados está o GJ 1002 b, localizado a cerca de 16 anos-luz do Sistema Solar. A descoberta do planeta foi publicada em 2023 na revista Astronomy & Astrophysics.
Dados do estudo indicam que o GJ 1002 b pertence a um sistema com dois planetas de massa próxima à terrestre. A Nasa estima que sua massa mínima corresponda a 1,08 vez a da Terra e que ele complete uma volta ao redor da estrela em aproximadamente 10,35 dias.
As informações disponíveis permitem investigar se esses mundos podem apresentar condições teoricamente compatíveis com a presença de água líquida. A confirmação de atmosfera adequada, água ou sinais associados à atividade biológica depende de observações adicionais.
A lista elaborada no trabalho funciona como um filtro entre milhares de exoplanetas conhecidos, indicando quais podem ser examinados com mais profundidade em pesquisas sobre habitabilidade.







