A Nasa iniciou os procedimentos de ativação dos principais instrumentos do Telescópio Espacial Nancy Grace Roman durante a viagem do observatório ao Ponto de Lagrange 2 (L2). O anúncio foi feito na terça-feira (15/9). A região fica a cerca de um milhão de quilômetros da Terra e é considerada adequada para o funcionamento de instrumentos ópticos.
O Instrumento de Campo Amplo (WFI, na sigla em inglês) e o coronógrafo ainda não estão prontos para coletar dados científicos. Os equipamentos passarão por testes durante meses, com o objetivo de serem calibrados antes do início oficial da missão. De acordo com os responsáveis pelo telescópio, os primeiros resultados foram positivos.
“Este é um marco importantíssimo”, afirmou Josh Schlieder, cientista do WFI no Centro de Voos Espaciais Goddard da Nasa, em Greenbelt, nos Estados Unidos. Ele também disse que ainda há etapas a cumprir, mas que o instrumento está operacional no espaço.
A Nasa espera divulgar as primeiras imagens feitas pelo Roman no início de 2027, caso os procedimentos ocorram como planejado.
Etapas de ativação
Antes de ligar o WFI, os cientistas deixaram o instrumento secar para remover contaminantes acumulados antes do lançamento. O equipamento também foi mantido inicialmente em uma temperatura elevada em relação ao ambiente espacial.
Na sexta-feira (11/9), o aquecedor foi desligado. Com isso, o WFI pôde esfriar até atingir a temperatura necessária para a ativação de seus detectores infravermelhos. Depois que os sensores foram ligados, a roda de filtros começou a ser calibrada. Esse componente seleciona comprimentos de onda individuais.
No domingo (13/9), a equipe confirmou que os componentes responsáveis pelo foco do telescópio funcionavam adequadamente. O coronógrafo foi aquecido para facilitar a simulação dos testes em sua série de espelhos deformáveis.
Função dos instrumentos
O WFI é uma câmera infravermelha de 300 megapixels criada para mapear grandes áreas do céu. O instrumento será usado para registrar imagens do cosmos, estudar a energia escura e mapear a distribuição de matéria pelo Universo.
A câmera tem 18 detectores infravermelhos, que formam uma área de sensoriamento próxima à dimensão de um laptop. Câmeras digitais convencionais, em comparação, cobrem uma área equivalente à de um selo postal.
O coronógrafo combina espelhos, máscaras e sensores para bloquear a luz de estrelas distantes. Dessa forma, o instrumento poderá auxiliar na detecção de exoplanetas e de discos de poeira ao redor deles, mesmo quando esses objetos apresentarem menor luminosidade.







