A extinção de uma espécie não pode ser revertida espontaneamente pela natureza. Quando o último indivíduo morre, o grupo deixa de produzir descendentes e perde a possibilidade de manter sua informação genética ao longo das gerações.
Para declarar um animal extinto, especialistas precisam reunir evidências robustas de que não existe nenhum exemplar vivo capaz de se reproduzir. Sem indivíduos, a genética da espécie deixa de circular e não há um mecanismo natural que reconstrua o grupo a partir do zero, explica o biólogo André Neto, diretor de operações técnicas do Oceanic Aquarium, em Balneário Camboriú, Santa Catarina.
Espécies redescobertas
Alguns animais considerados extintos são encontrados novamente porque, na realidade, sobreviveram em populações pequenas ou em locais de difícil acesso. Há casos de espécies com hábitos noturnos, comportamento discreto ou que vivem em cavernas, florestas fechadas e regiões profundas, afirma o biólogo Rafael Moreira, do Parque Três Pescadores, em São Paulo.
A rolinha-do-planalto (Columbina cyanopis), que não era vista desde 1941, foi reencontrada em 2015. Outro exemplo é o celacanto (Latimeria chalumnae), tratado como extinto por décadas até ser redescoberto em 1938. Para validar uma redescoberta, os pesquisadores podem analisar características morfológicas, registros históricos, distribuição geográfica, comportamento, ecologia e dados genéticos.
Uma mudança na cadeia de DNA pode indicar que o animal representa uma evolução de uma linhagem anterior. A definição de uma nova linhagem, porém, depende também de outros processos além da análise genética.
Conservação após o reencontro
Localizar um exemplar é apenas o início. É preciso estimar o tamanho da população, identificar sua área de ocorrência e verificar se os animais estão protegidos e se reproduzindo. Essas informações ajudam a evitar que a espécie desapareça novamente.
Zoológicos e aquários podem contribuir com programas de reprodução, manejo de populações ameaçadas e, quando possível, reintrodução na natureza. Outra estratégia é a criopreservação, que congela células reprodutivas e outros materiais biológicos para preservar a diversidade genética. Segundo Neto, esse material pode ser usado futuramente em programas de conservação.







