A presença de um sapo dentro de casa geralmente não representa uma emergência. O animal procura umidade, abrigo e alimento, e pode se aproximar de residências atraído por insetos concentrados perto de luzes externas. O cuidado deve ser maior quando há cães ou gatos no ambiente.
Risco para cães e gatos
Sapos não injetam toxinas como cobras e escorpiões. Porém, possuem glândulas parotoides atrás dos olhos, que liberam substâncias de defesa quando são pressionados ou mordidos. Em pessoas, o contato pode causar irritação na pele e nas mucosas dos olhos e da boca.
O risco mais significativo ocorre quando o pet tenta caçar ou morder o anfíbio, principalmente no caso de espécies grandes, como o sapo-cururu. A absorção da substância pela mucosa da boca pode provocar salivação intensa, espuma, vômitos, agitação e alterações neurológicas.
Se um cão ou gato morder um sapo, ele deve ser afastado imediatamente. A boca precisa ser lavada com água corrente, mantendo a cabeça do animal inclinada para baixo para evitar que a água seja engolida ou aspirada. Se surgirem sintomas, é necessário procurar atendimento veterinário. Não se deve provocar vômito.
Manejo sem contato direto
A retirada deve ser feita sem tocar no anfíbio com as mãos nuas. Feliphe Novais, biólogo e professor de biologia do Colégio Sigma, em Brasília, recomenda cobrir o animal com um balde, deslizar um papelão por baixo e levá-lo para fora. “Solte à noite, em local úmido, sombreado e próximo de onde foi encontrado”, orienta.
O animal não deve ser atingido com sal, cloro, álcool ou inseticidas. Essas substâncias provocam sofrimento e podem causar a morte por desidratação ou intoxicação. Depois da retirada, é importante lavar bem as mãos.
Como reduzir as entradas
Telas em ralos e janelas, vedação das frestas de portas, limpeza do quintal e o desligamento de luzes externas desnecessárias à noite ajudam a diminuir a aproximação. A iluminação atrai insetos, que servem de alimento aos anfíbios.
O aparecimento é mais frequente no período reprodutivo, entre outubro e março, mas alterações no clima podem modificar esse calendário. Chuvas isoladas aumentam a umidade do solo e podem tirar os animais mais cedo do período de dormência da seca.
Quando o sapo está na área externa e não oferece risco a um pet, Carol Braga, bióloga e professora do Foco Medicina Vestibular, afirma que não há motivo para expulsá-lo. “É muito melhor ensinar as pessoas a conviverem com a fauna ao redor da casa”, diz.







