Blumenau, Sexta-feira, 25 de setembro de 2026
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Ciência

Alzheimer compromete memória, percepção do tempo e identidade pessoal

A doença neurodegenerativa começa anos antes dos sintomas e afeta redes ligadas à memória, à autobiografia e à organização temporal.

Alzheimer compromete memória, percepção do tempo e identidade pessoal

A doença de Alzheimer é uma enfermidade neurodegenerativa progressiva que afeta não apenas a memória, mas também a percepção do tempo, a orientação espacial, a linguagem, o planejamento e a continuidade da identidade pessoal. Sua instalação é lenta e silenciosa, podendo começar muito antes de os primeiros sinais clínicos serem percebidos.

Como a doença se desenvolve

Entre os principais processos envolvidos estão o acúmulo da proteína beta-amiloide, a alteração da proteína tau, a perda de conexões entre neurônios, a neuroinflamação e a disfunção metabólica. A beta-amiloide deriva da APP e, quando seu equilíbrio entre produção e eliminação é rompido, pode formar placas no tecido cerebral. Esse processo pode ocorrer durante uma longa fase sem sintomas evidentes.

A proteína tau, que normalmente contribui para a estabilidade dos neurônios e para o transporte dentro das células, sofre alterações no Alzheimer. Ela perde sua função e forma emaranhados no interior dos neurônios. Esses agregados prejudicam a comunicação entre as células, dificultam o transporte intracelular e reduzem progressivamente a viabilidade neuronal.

A degeneração costuma começar em regiões do sistema temporal medial, especialmente nos córtices entorrinal e transentorrinal. Essas áreas participam da memória episódica, da aprendizagem e da orientação espacial, além de funcionarem como vias de acesso para o hipocampo. Por isso, o esquecimento de conversas recentes, a repetição de perguntas e a dificuldade para aprender informações novas estão entre os sinais iniciais descritos.

Com a progressão da patologia, o comprometimento alcança o hipocampo, o sistema límbico e outras regiões temporais. Em fases posteriores, áreas associativas dos córtices frontal, parietal e temporal também são afetadas. A evolução pode envolver dificuldades de linguagem, reconhecimento de pessoas ou objetos, planejamento, tomada de decisão, orientação visuoespacial e autonomia funcional.

A perda sináptica tem papel importante nesse processo. Alterações nas conexões entre neurônios podem aparecer antes da morte neuronal em larga escala e ajudam a explicar por que os déficits cognitivos surgem enquanto a atrofia estrutural ainda não é extensa. Também participam da progressão a ativação da micróglia e dos astrócitos, o estresse oxidativo e a disfunção das mitocôndrias.

Memória, tempo e autobiografia

A relação do Alzheimer com a temporalidade está ligada ao funcionamento do hipocampo e das redes entorrinais. Essas estruturas ajudam a organizar os acontecimentos dentro de uma sequência. Quando começam a se degenerar, o paciente pode ter dificuldade para saber quando algo ocorreu, calcular quanto tempo passou e distinguir épocas diferentes da própria vida.

Essa desorganização também explica a repetição de perguntas. A pessoa pode não conseguir consolidar a relação temporal entre a resposta recebida e o momento presente. Assim, o Alzheimer não altera apenas a capacidade de lembrar informações: ele também compromete a organização subjetiva do tempo.

As memórias recentes tendem a se deteriorar antes das lembranças mais antigas. Com isso, o indivíduo pode parecer viver em uma fase anterior de sua história, misturando passado e presente. A ruptura da sequência autobiográfica afeta o reconhecimento da própria trajetória e a continuidade psicológica da existência.

A Default Mode Network, rede relacionada à memória autobiográfica, ao pensamento autorreferencial, à imaginação do futuro e à construção da identidade pessoal, também é atingida. Ela envolve áreas como o córtex cingulado posterior, o córtex pré-frontal medial, o precuneus e conexões com o hipocampo. A redução da atividade e da conectividade entre essas regiões dificulta a integração entre passado, presente e futuro em uma narrativa coerente.

O papel do sono e do sistema glinfático

Outro mecanismo estudado é o sistema glinfático, responsável pela remoção de resíduos metabólicos por meio do fluxo do líquido cefalorraquidiano em vias próximas aos vasos sanguíneos. Esse processo conta com a participação dos astrócitos e dos canais de água aquaporina-4.

O funcionamento glinfático se intensifica durante o sono profundo. Nesse período, o espaço entre os neurônios aumenta, facilitando a circulação de líquido e a eliminação de substâncias como beta-amiloide e tau. A fragmentação do sono, a privação de descanso e a redução do sono profundo estão associadas a maior deposição de beta-amiloide ao longo do tempo.

O sono também participa da consolidação das memórias, ao favorecer a reorganização das informações entre o hipocampo e o neocórtex. Quando esse processo é prejudicado por longos períodos, podem ser afetadas as redes relacionadas à memória episódica, à atenção e às funções executivas.

O Alzheimer, portanto, resulta da interação entre alterações proteicas, inflamação, perda sináptica, mudanças metabólicas e falhas nas redes cerebrais. A doença compromete progressivamente a capacidade de lembrar, aprender, orientar-se no tempo, organizar a própria história e sustentar a continuidade da identidade pessoal.

Texto produzido pela Redação Rota do Saber com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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