A qualidade do sono foi o fator mais relacionado à saúde mental e ao desempenho escolar de adolescentes, aponta um estudo publicado na revista científica "Psychological Medicine". A pesquisa analisou dados de participantes entre 10 e 13 anos acompanhados pelo estudo Adolescent Brain Cognitive Development, realizado nos Estados Unidos.
Os pesquisadores avaliaram como hábitos de vida poderiam ajudar a explicar associações entre sintomas de saúde mental, desempenho acadêmico e problemas sociais. Entre os aspectos considerados estavam a qualidade do sono, o tempo de tela, a atividade física e a alimentação. Também foram observados sintomas de depressão, ansiedade e experiências semelhantes à psicose.
O sono correspondeu a 18,5% das associações com depressão, 36,3% com ansiedade e 8,3% com perturbações com caráter psicótico. Para Jason Smucny, primeiro autor do estudo e neurocientista computacional do Departamento de Psiquiatria e Ciências Comportamentais da Universidade da Califórnia, o resultado foi inesperado para a equipe.
"Esperávamos que o sono fosse importante, mas não imaginávamos que ele se destacaria tão claramente em relação aos outros fatores do estilo de vida, especialmente o tempo de tela", afirmou Smucny.
Relação com hábitos e saúde mental
O tempo de tela apareceu como o segundo fator mais importante. Ele representou 5% da associação entre ansiedade e funcionamento acadêmico, 6,3% da relação com depressão e 6,2% com experiências semelhantes à psicose. A atividade física e a alimentação apresentaram efeitos menores nas associações analisadas.
O estudo investigou efeitos de mediação, ou seja, calculou quanto esses fatores ajudavam a explicar as relações observadas entre sintomas de saúde mental e desempenho acadêmico. Por isso, os resultados não permitem atribuir um desempenho escolar ruim exclusivamente à falta de sono ou ao excesso de tempo de tela.
Os autores destacam que a adolescência é um período crítico do desenvolvimento e que problemas de saúde mental podem surgir nessa fase, em associação com um sono de má qualidade. Segundo Tara Niendam, autora sênior do estudo, rotinas de sono saudáveis podem apoiar o bem-estar emocional e o funcionamento cotidiano de crianças e adolescentes, mas não resolvem todos os desafios de saúde mental.
A adoção de horários de sono mais estabelecidos e a restrição do tempo de tela não substituem o tratamento quando já existem problemas de saúde mental. Nesses casos, os pesquisadores reforçam a importância do acompanhamento profissional.
Os resultados também podem orientar estudos futuros de intervenção, voltados a avaliar se mudanças nesses hábitos são capazes de melhorar o funcionamento acadêmico e social dos adolescentes.







