SENADOR CANEDO — A contaminação identificada nas proximidades de um tanque de resíduos oleosos levou o Ministério Público de Goiás (MP-GO) a pedir a prisão preventiva dos sócios da Bauer Serviços e Tecnologias Ltda. O caso envolve suspeitas de armazenamento e gerenciamento inadequados de resíduos industriais no município.
A Polícia Científica de Goiás registrou a alteração no solo no Laudo de Perícia Criminal RG nº 20810/2026. O exame, porém, não determinou a dimensão do dano nem verificou se houve comprometimento das águas subterrâneas.
Medidas solicitadas
Na ação civil pública, o MP-GO também pede o bloqueio provisório de até R$ 2,31 milhões em ativos da empresa. Desse montante, R$ 1 milhão foi calculado como estimativa para indenização por dano moral coletivo ambiental. O valor poderá ser revisto conforme os estudos indiquem a extensão dos impactos e a Justiça defina a reparação.
A empresa deverá financiar a análise do solo e das águas. O trabalho prevê avaliação preliminar, investigação confirmatória e, se for necessário, investigação detalhada. Caso sejam encontradas áreas que precisem de intervenção, a Bauer terá de elaborar e executar um plano de remediação, incluindo controle das fontes de contaminação, recuperação dos locais atingidos e monitoramento ambiental.
O órgão também solicita que a empresa seja impedida de receber novos resíduos ou voltar a operar sem licença ambiental válida. Entre as medidas pedidas estão o isolamento e a sinalização das áreas de risco, o inventário dos materiais armazenados e um Plano Emergencial de Desmobilização Ambientalmente Segura. Resíduos, efluentes, reagentes e demais materiais com potencial de risco deverão ser removidos, transportados e destinados adequadamente.
Fiscalizações e registros
De acordo com o MP-GO, a Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) identificou, em 2024, problemas no armazenamento e no gerenciamento de resíduos, substâncias oleosas e produtos químicos. As informações foram reunidas nos Autos Extrajudiciais nº 202600230892.
Em janeiro de 2025, uma denúncia sobre lançamento de óleo em via pública motivou uma fiscalização. Os fiscais constataram que materiais do empreendimento chegaram à rede de drenagem pluvial e a uma área de preservação permanente próxima. Também foram observadas manchas no solo e no Córrego Vargem Bonita. As multas aplicadas foram de R$ 30 mil e R$ 200 mil.
Uma vistoria feita em abril de 2026 apontou que os problemas continuavam, com acúmulo de material oleoso e falhas nas estruturas de contenção. Em agosto, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) informou o descumprimento, pela empresa, do Termo de Compromisso Ambiental nº 4483 quanto à regularização da atividade.
Durante fiscalização em 2 de setembro, foram localizados tambores, contentores, sacarias, embalagens, reagentes e recipientes com resíduos e produtos químicos. A equipe também encontrou líquidos acumulados em estruturas de contenção e outros materiais remanescentes da atividade industrial.
Na esfera criminal, a 5ª Promotoria de Justiça de Senador Canedo apresentou a ação penal e solicitou a prisão preventiva dos sócios. O MP-GO afirma que a retirada dos materiais, a apuração dos impactos e a recuperação da área são necessárias para eliminar os riscos existentes no imóvel e evitar o agravamento dos danos.







