Famílias de três gerações encontraram no Serviço Social do Comércio (Sesc) diferentes formas de manter vínculos no Rio Grande do Norte. Em alguns casos, a relação começou na infância e continuou por meio do trabalho, da educação, dos serviços de saúde, das atividades esportivas e da programação cultural.
O Sesc completou 80 anos neste mês de setembro. A instituição chegou ao Rio Grande do Norte em 1947 e inaugurou, em 1957, o primeiro Centro de Atividades, na Cidade Alta. Desde então, ampliou sua atuação para áreas como educação, saúde, cultura, esporte, lazer e assistência, alcançando diferentes regiões do estado.
Na família do jornalista e geógrafo Francisco Djalma Costa, 68 anos, a aproximação começou quando ele tinha 9 anos e morava perto da unidade de Potilândia. Na adolescência, Djalma participava de eventos e atividades de lazer. Mais tarde, a mãe passou a fazer hidroginástica, um dos filhos trabalhou no Programa Mesa Brasil e George Augusto da Costa, 39 anos, tornou-se funcionário.
“O Sesc sempre foi muito importante na vida da gente em diferentes aspectos, seja na minha geração, na dos meus filhos e agora na da minha neta, que é aluna da escola Sesc”, afirma Djalma.
George conheceu a instituição inicialmente ao acompanhar o irmão, que trabalhava no Sesc e participava de atividades esportivas. O futebol foi uma das primeiras formas de contato. Mais de uma década depois, ele foi aprovado em um processo seletivo e passou a trabalhar no setor de licitação, após atuar na área de compras.
A filha de George, de 5 anos, estuda na Escola Sesc. A escolha foi influenciada pela qualidade do ensino e pela confiança construída pela família ao longo do tempo. Em 2025, o Sesc registrou 2.657 estudantes na educação regular. Em Potilândia, a capacidade da escola aumentou de 615 para 1 mil estudantes depois da reforma da unidade.
Experiências diferentes entre as gerações
A presença do Sesc em uma família não significa que avós, pais e crianças vivenciem a instituição da mesma forma. Maria Patrícia Costa de Oliveira e Adir Luiz Ferreira, professores do Centro de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), avaliam que essa convivência envolve um processo em que cada geração participa e atribui novos sentidos às próprias experiências.
Para os professores, um avô pode participar de atividades voltadas à terceira idade, enquanto o filho trabalha na instituição e a neta frequenta a escola. Embora estejam ligados ao mesmo espaço, eles ocupam posições e vivem momentos históricos diferentes. A criança também pode influenciar os hábitos e as escolhas dos adultos ao levar novas experiências para a família.
Essa dinâmica aparece na história de Francisca Alves, 64 anos. A aproximação com o Sesc ocorreu por causa da neta, que fazia balé na unidade da Zona Norte. Em 2018, Francisca conseguiu uma vaga para a menina na escola de Potilândia. Para isso, precisou dormir no local e pegar uma ficha, em razão da procura.
A rotina entre a casa e a escola levou Francisca a organizar os deslocamentos e as refeições da neta usando a estrutura da unidade. Depois, ela também passou a fazer atividades físicas, incluindo musculação e hidroginástica, recomendadas por uma médica.
A filha de Francisca, Ana Célia Alves, 39 anos, intensificou o uso dos serviços do Sesc depois que a filha começou a estudar na instituição. Antes, já utilizava atendimentos de saúde, como odontologia e clínica integrada, porque o marido é comerciário. Em 2025, a odontologia registrou 59.895 atendimentos, e a Clínica Integrada contabilizou 31.916 procedimentos no estado.
A proximidade com o Sesc também influenciou a decisão da família sobre onde morar. Ana Célia relata que a rotina de trabalho e os deslocamentos tornaram mais conveniente viver perto dos serviços.
A família ainda acompanha atividades culturais no Teatro Sesc Sandoval Wanderley, reaberto em 2025 após 15 anos fechado e administrado pelo Sesc. O espaço voltou a receber espetáculos de teatro, música, cinema e exposições.
Acolhimento e acesso a serviços
Para Gedson Nunes, diretor regional do Sesc RN, a manutenção dos vínculos entre gerações está relacionada a acolhimento, qualidade e acessibilidade. Em 2025, a instituição registrou mais de 2,8 milhões de atendimentos em unidades e ações no Rio Grande do Norte.
As histórias das famílias mostram que a relação com o Sesc pode mudar conforme as necessidades de cada pessoa. Para Francisca, a instituição reúne suporte para atividades e acesso a diferentes serviços. Na família de Djalma, o vínculo começou na infância, passou pelos filhos e chegou à neta por meio da educação.








