GOIÂNIA — Cerca de 50 mil ipês espalhados pela capital goiana florescem durante o período de seca e mudam, por alguns dias, a paisagem de avenidas, praças e canteiros centrais. Em setembro, os ipês-brancos abrem as copas enquanto os galhos permanecem sem folhas, criando contraste com o concreto, o asfalto e a poeira vermelha.
Os ipês-brancos, da espécie Tabebuia roseoalba, são árvores nativas do Cerrado e estão entre as espécies que florescem durante a estiagem. Conforme informações da Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma), a floração em Goiânia costuma ocorrer entre agosto e outubro.
Como ocorre a florada
A engenheira agrônoma da Amma, Jarina Padial, explica que a queda das temperaturas nos meses anteriores à florada, especialmente junho e julho, junto com a estiagem, contribui para o florescimento.
Antes de produzir as flores, a árvore perde as folhas. Esse processo é chamado de caducifolia e reduz a perda de água durante o período seco. Com os galhos descobertos, a planta consegue concentrar energia na floração, fazendo com que as flores ocupem o espaço da copa.
A florada pode durar até cinco dias, segundo a Amma. O período de maior intensidade fica concentrado em aproximadamente dois dias, mas a duração varia conforme a intensidade da floração e a força dos ventos, que podem derrubar as flores.
Além das características da florada, o ipê-branco é usado na arborização urbana por seu menor porte e pelas raízes profundas. “Pode ser utilizada em parques, praças e canteiros centrais com menor possibilidade de conflitos com calçadas e tubulações”, afirma Jarina Padial.
As flores podem ter tonalidades brancas ou levemente rosadas e são visitadas por abelhas e outros polinizadores. A espécie também produz frutos alongados, com sementes dispersadas pelo vento.
A presença dos ipês integra a relação de Goiânia com a arborização urbana. Ruas, praças e parques fazem parte da paisagem cotidiana da cidade. Como a florada é passageira, os galhos voltam a ficar mais discretos depois de alguns dias.







