Blumenau, Sexta-feira, 25 de setembro de 2026
Prova, edital e conteúdo em dia
Brasil

Melanoma pode surgir fora da pele e exige diagnóstico precoce, alerta estudo

Boletim da Fundação do Câncer analisa casos de melanoma cutâneo e extracutâneo no Brasil e aponta desafios no acesso ao tratamento.

Melanoma pode surgir fora da pele e exige diagnóstico precoce, alerta estudo
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Fundação do Câncer alerta que o melanoma também pode se desenvolver fora da pele, em estruturas como os olhos, mucosas da cavidade oral e órgãos internos dos sistemas genital e digestório. Embora seja menos frequente, o melanoma extracutâneo é mais agressivo e letal, devido à maior possibilidade de provocar metástases.

A análise faz parte da 12ª edição do boletim Análises e Tendências em Câncer, lançada neste mês com foco nos melanomas de pele e extracutâneos. A publicação utiliza dados da plataforma info.oncollect, que reúne informações de registros hospitalares de oncologia.

Casos extracutâneos e sinais de atenção

O estudo epidemiológico avaliou 42.255 casos registrados no Brasil. Desse total, 92,2% eram melanomas cutâneos, 5,7% oculares e 2,5% de mucosa.

Entre 1990 e 2021, foram identificados 1.324 novos casos de melanoma extracutâneo no país. As mulheres concentraram 801 ocorrências, enquanto os homens registraram 523. O olho foi a principal localização primária, com 75% dos casos, seguido pelos órgãos genitais, com 12,8%, e pelo sistema digestório, com 8,2%.

Nos 993 casos de melanoma ocular analisados, 447 ocorreram em homens e 546 em mulheres. A Fundação do Câncer ressalta que esse tipo pode permanecer sem sintomas nas fases iniciais e ser identificado somente em exames de rotina.

Entre os sinais citados estão visão embaçada, flashes luminosos, manchas no campo visual e perda visual. Por serem manifestações inespecíficas, podem atrasar a identificação da doença.

Tratamento e acesso no SUS

Pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o tratamento padrão do melanoma inclui a cirurgia da lesão primária e a retirada dos linfonodos envolvidos. Entre 2014 e 2023, a cirurgia foi o principal tratamento inicial do melanoma de pele em todas as regiões brasileiras, representando 84,7% dos procedimentos registrados.

O Sudeste apresentou o maior percentual de cirurgias como primeiro tratamento, com 89,6% dos casos. O menor índice foi observado no Norte, com 64,4%. A maior necessidade de deslocamento para atendimento oncológico ocorreu no Centro-Oeste, onde 20,2% dos pacientes precisaram buscar tratamento fora da própria região de residência.

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) informa que a quimioterapia é amplamente utilizada no tratamento dos melanomas. Em 2016, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou no Brasil medicamentos anti-PD-1, como nivolumabe e pembrolizumabe. Mais recentemente, também foi aprovado o tebentafuspe, específico para melanoma ocular metastático ou inoperável.

Em 2020, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) aprovou a primeira imunoterapia no SUS para melanoma metastático, com nivolumabe e pembrolizumabe.

Segundo Alfredo Scaff, consultor médico da Fundação do Câncer e coordenador do estudo, a introdução desses medicamentos elevou a resposta aos tratamentos em pacientes com melanoma avançado ou metastático. “A resposta clínica, ou seja, a melhora dos pacientes saltou de menos de 10% dos pacientes em quimioterapia para até 70% de melhora clínica dos pacientes em imunoterapia”, afirmou.

Para Gélcio Mendes, coordenador de Assistência do Inca, as evidências sobre o uso de imunoterapia contra o melanoma extracutâneo ainda são escassas. O instituto também destaca que novas tecnologias costumam ser somadas a terapias antigas eficazes, e não substituí-las.

Custo dos medicamentos

O alto preço dos medicamentos é apontado como uma barreira ao acesso à imunoterapia em tempo hábil para pacientes que dependem do SUS. Scaff defende a compra centralizada de insumos pelo Ministério da Saúde e órgãos ligados à pasta, associada a uma política de industrialização da saúde por meio do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS).

O coordenador do estudo afirma que a negociação de preços e a ampliação da produção nacional podem reduzir o custo dos medicamentos. Mendes informou que estão em tramitação mudanças no marco legal da Assistência Farmacêutica em Oncologia no SUS (AF-Onco), com previsão de ampliar o acesso a esses agentes.

A distribuição dos remédios de alta tecnologia até hospitais e centros especializados ainda depende de pactuação entre gestores. O repasse às unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacons) e aos centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacons) permanece em negociação intergovernamental.

Melanoma de pele

A exposição à radiação ultravioleta é o principal fator de risco para os cânceres de pele. A possibilidade de desenvolvimento varia conforme o tipo de pele e a intensidade e o padrão da exposição solar. O melanoma representa 4% dos tumores malignos da pele, mas tem maior agressividade e potencial de disseminação.

Entre 1990 e 2021, foram registrados 30.614 casos novos de melanoma de pele no Brasil. As mulheres responderam por 15.714 ocorrências, ou 51,3%, e os homens, por 14,9 mil casos, equivalentes a 48,7%.

Os maiores percentuais de localização ocorreram no tronco, com 22,4%, nos membros inferiores, com 19,1%, e nos membros superiores, com 13,8%. Em 2023, o Inca registrou 2.047 mortes por melanoma de pele: 1.176 entre homens e 871 entre mulheres.

Para o período de 2020 a 2024, a taxa média foi de seis óbitos a cada 1 milhão de habitantes. O índice foi de oito óbitos por 1 milhão entre homens e de cinco por 1 milhão entre mulheres.

O Sul apresentou a maior taxa de incidência de melanoma de pele, com 44,40 casos por 1 milhão, acima da média nacional de 19,20. Para este ano, o Inca projeta 9.360 novos casos no Brasil, com 19,2 ocorrências por 1 milhão de habitantes. As estimativas fazem parte do triênio 2026/2028.

Texto produzido pela Redação Rota do Saber com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.

Em alta

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5