A rede pública estadual de Santa Catarina registrou 6.846 casos de violência contra profissionais da educação em 2025, conforme dados apresentados pelo Sinte/SC. O levantamento do Núcleo de Educação, Prevenção, Atenção e Atendimento às Violências na Escola (Nepre) indica média de 44 ocorrências por dia letivo.
Os dados foram divulgados durante audiência pública realizada no Plenarinho da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), solicitada pelo Sinte/SC para tratar de estratégias de enfrentamento às agressões contra trabalhadores da educação. Professores relataram episódios ocorridos dentro das escolas e apontaram falta de amparo institucional.
Indicadores de violência nas escolas
Nos quatro anos anteriores, 4.819 docentes foram vítimas de agressões, segundo os dados apresentados no encontro. Informações do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) também apontam que episódios violentos levaram à interrupção do calendário em 1 em cada 100 escolas. Além disso, 1 em cada 20 diretores afirmou ter identificado casos de estudantes portando armas.
O professor Michel Flor relatou ter sido agredido e ameaçado por uma mãe de estudante. Ele afirmou que passou a receber acompanhamento médico e que voltou ao trabalho mesmo estando doente. Também disse ter enfrentado falta de apoio da escola, do Nepre e da Secretaria de Educação.
Diante dos relatos, o Sinte/SC lançou a campanha “Violência não. Respeito à Educação!”, com cobrança por medidas de proteção e valorização profissional. A presidente da entidade, Elivane Secchi, relacionou a violência institucional ao achatamento da carreira e à precarização salarial.
A deputada Luciane Carminatti (PT), que presidiu a audiência, apresentou uma minuta de Projeto de Lei com protocolos de atendimento às vítimas, acolhimento, suporte jurídico e assistência psicológica. Participaram representantes do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), do Tribunal de Contas do Estado (TCE-SC) e da Secretaria de Estado da Educação (SED). A secretária da Educação, Luciane Ceretta, não compareceu.
Pesquisa nacional
O Observatório Nacional da Violência contra Educadores divulgou, durante o encontro, um estudo sobre agressões contra profissionais da educação no país. O levantamento aponta a censura como uma das violências mais disseminadas, presente em todos os níveis e etapas de ensino.
Entre os entrevistados, 57% apontaram profissionais da área pedagógica como principais agentes de violência. Familiares dos estudantes foram mencionados por 44%, enquanto os próprios alunos apareceram em 34% das respostas.








