Blumenau, Sexta-feira, 25 de setembro de 2026
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Ciência

Câmeras em diferentes alturas registram 47 grupos de mamíferos no Congo

Pesquisa no Parque Nacional de Lomami combinou imagens do solo, do sub-bosque e das copas para mapear a fauna da floresta.

Pesquisadores registraram 47 táxons de mamíferos no Parque Nacional de Lomami, na República Democrática do Congo, usando câmeras infravermelhas instaladas em diferentes alturas da floresta. A estratégia identificou animais, comportamentos e padrões de distribuição que poderiam não aparecer em levantamentos feitos apenas no solo.

A equipe da Florida Atlantic University posicionou os equipamentos em três níveis: próximo ao chão, no sub-bosque e na copa das árvores. Algumas câmeras foram instaladas entre 20 e 30 metros de altura. Os registros reuniram primatas, carnívoros, roedores, ungulados e pangolins.

Do total identificado, 32 táxons apareceram no solo, 23 no sub-bosque e 22 na copa. O levantamento também encontrou oito espécies fora das áreas de distribuição geográfica documentadas até então. Embora as câmeras terrestres tenham registrado a maior parte da diversidade, cerca de um quarto dos mamíferos arborícolas mostrou preferência pelo sub-bosque.

“As câmeras essencialmente nos deram uma maneira de transformar um único ponto na floresta em uma coluna vertical de observação”, explica Daniel Alempijevic, autor principal de um dos estudos, publicado no Journal of Mammalogy.

Vídeos mostram interações entre animais

Os equipamentos produziram milhares de vídeos, analisados por pesquisadores e voluntários treinados. As imagens mostraram morcegos examinando frutos nas copas e pequenos morcegos insetívoros se aproximando repetidamente de outros mamíferos, possivelmente para capturar insetos atraídos por eles.

Também foram identificados mais de 1.500 eventos envolvendo aves nos três níveis da floresta. As gravações incluem aves de rapina predando mamíferos e calaus-de-cauda-longa-orientais acompanhando grupos de macacos.

As câmeras registraram ainda o pangolim-de-barriga-preta, considerado pelos pesquisadores um possível dos primeiros registros da espécie feito com armadilha fotográfica. A pesquisa encontrou três espécies de pangolins, grupo de mamíferos que está entre os mais traficados do mundo.

Altitude e alterações no ambiente

Em outro estudo, publicado na revista Ecology, os pesquisadores analisaram 25 espécies detectadas com maior frequência, entre elas bonobos, macacos-de-cauda-vermelha, civetas-de-palmeira-africanas, javalis-vermelhos, mangustos-de-nariz-comprido e espécies de esquilos.

A presença de mamíferos aumentou conforme a altitude, mesmo com uma diferença de apenas 43 metros na área analisada. Para Daniel Gorczynski, autor principal desse estudo, a observação da floresta do chão à copa permite avaliar como essa dimensão modifica o conhecimento sobre a comunidade de mamíferos.

Os dados também apontaram mudanças no uso do espaço por pangolins-de-barriga-branca. Em florestas maduras, eles utilizavam a copa com maior frequência. Em áreas desmatadas para agricultura, apareciam mais perto do solo, o que pode aumentar a exposição à caça ilegal.

A Bacia do Congo concentra uma das maiores extensões de floresta tropical relativamente intacta do planeta. Cerca de 60% da área florestal está na República Democrática do Congo. Insegurança, dificuldades de acesso e infraestrutura limitada mantiveram grandes regiões pouco estudadas.

Para os pesquisadores, o método poderá ser aplicado em outras áreas da Bacia do Congo para localizar espécies raras ou ameaçadas, apontar habitats importantes e avaliar os efeitos das perturbações humanas.

Texto produzido pela Redação Rota do Saber com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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