Especialistas alertam que o uso cotidiano de ferramentas de inteligência artificial pode levar usuários a compartilhar informações pessoais além do necessário. Dados inseridos em prompts podem ser reunidos para formar perfis detalhados, sujeitos a falhas de segurança e vazamentos.
O professor Laerte Peotta de Melo, do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade de Brasília (UnB), afirma que senhas, códigos de autenticação, CPF, RG, dados bancários, exames médicos e documentos corporativos não devem ser fornecidos às plataformas. A combinação desses registros com informações sobre profissão, hábitos, localização, rotina familiar e condição financeira amplia o nível de detalhamento sobre cada pessoa.
“Ao longo do tempo, o acúmulo de detalhes do dia a dia — como profissão, hábitos, localização, rotina familiar e condição financeira — permite a correlação dessas informações, criando um perfil detalhado sobre o indivíduo”, reforça Melo.
Pedro A. Galvão Junior, professor da Faculdade de Tecnologia (Fatec) São Roque, em São Paulo, também afirma que o excesso de informações pode fazer com que a ferramenta reconheça padrões do usuário. Entre os sinais está a antecipação de respostas com base na forma de trabalhar e nas ações realizadas anteriormente.
Plataformas genéricas podem usar os dados inseridos para aprimorar o algoritmo. Em caso de falha de segurança, essas informações podem ser utilizadas pela inteligência artificial ao responder perguntas feitas por outras pessoas.
Como reduzir a exposição
A recomendação é evitar o envio de senhas, valores, dados bancários, detalhes sobre a saúde, documentos e informações profissionais. Perguntas podem ser feitas sem revelar dados que identifiquem o usuário.
Quando uma empresa utiliza inteligência artificial para analisar contratos, uma alternativa é recorrer à chamada Shadow AI, descrita como um uso oculto do sistema. Nesse caso, Melo recomenda anonimizar o conteúdo: nomes completos, CPF, assinaturas e dados bancários podem ser retirados antes do envio. “Você pode enviar o texto sem essas informações”, afirma o professor.







