COZUMEL, MÉXICO — Um guaxinim-pigmeu (Procyon pygmaeus) foi observado transformando um pedaço de papel em uma bola e usando o objeto durante uma brincadeira. Pesquisadores também registraram parentes repetindo as etapas, o que pode representar a primeira evidência documentada de uma cultura material entre procionídeos, grupo que inclui guaxinins, quatis e outros parentes.
O comportamento foi identificado durante um estudo da Universidade de Miami sobre os efeitos da presença humana e do turismo na vida desses animais. A espécie é criticamente ameaçada de extinção e vive apenas em Cozumel. A estimativa apresentada pelos pesquisadores é de que restem 120 indivíduos na natureza.
Como o brinquedo foi produzido
Em janeiro, uma jovem fêmea retirou um recibo de um recipiente com papel e plástico. Primeiro, mergulhou o papel várias vezes em uma tigela com água. Depois, amassou o material, rolou-o na areia até formar uma pequena esfera e começou a arremessá-la no chão.
A pesquisadora Nessie O'Neil filmou a cena e enviou o registro à orientadora, Michelle Szydlowski. Nos dias seguintes, O'Neil observou outros guaxinins fazendo bolas semelhantes e usando os objetos nas brincadeiras. Os animais chegaram a interagir com as bolas como se disputassem uma espécie de futebol, inclusive junto de quatis-de-cozumel (Nasua narica nelsoni).
A mãe e a irmã do primeiro animal observado bateram nas bolas e tentaram produzir seus próprios objetos. Os irmãos também repetiram o procedimento. A guaxinim considerada pioneira morreu pouco depois das primeiras observações, provavelmente por uma combinação de desnutrição e exposição a substâncias tóxicas presentes no lixo humano. Mesmo depois disso, um irmão foi visto fazendo outra bola com restos de papel.
Possível aprendizado social
Para os pesquisadores, o episódio se diferencia de comportamentos de brincadeira já observados em outras espécies porque envolve a modificação de materiais disponíveis no ambiente e a produção de um objeto específico sem função imediata de sobrevivência. A repetição por outros membros da família levantou a possibilidade de aprendizado social.
A pesquisa foi publicada no final de agosto na revista científica Wild. A observação também pode contribuir para estudos de conservação, ao ajudar a compreender comportamentos adquiridos em áreas turísticas, como procurar comida humana, pedir alimento e entrar em contato com bebidas e outros resíduos deixados por visitantes.
A estimativa é de que existam menos de 200 guaxinins-pigmeus em Cozumel. Nessie O'Neil afirmou que espera ampliar a atenção sobre a espécie e pediu que as pessoas não alimentem os animais.







