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Ciência

Luciferase de coral profundo emite luz mesmo sob temperaturas de 2°C

Enzima encontrada em coral coletado no litoral entre São Paulo e Rio de Janeiro pode apoiar biossensores e outras aplicações biotecnológicas.

Luciferase de coral profundo emite luz mesmo sob temperaturas de 2°C

Pesquisadores identificaram uma luciferase — enzima responsável pela produção de luz — em um coral de mar profundo. A molécula, chamada AnmLuc, foi isolada da pena-do-mar Anthoptilum murrayi e apresentou atividade mesmo em temperaturas próximas às do ambiente onde o animal vive.

O organismo foi coletado em 2019, durante uma expedição do navio oceanográfico Alpha Crucis, da Universidade de São Paulo (USP), no talude continental entre os estados de São Paulo e Rio de Janeiro. A região é um declive submarino que marca a passagem da plataforma continental para o oceano profundo.

Adaptação ao frio

A AnmLuc catalisa a reação entre a luciferase e a luciferina. Quando a enzima oxida essa molécula, ocorre a liberação de energia luminosa. Em laboratório, a atividade da AnmLuc foi máxima em torno de 15 °C e permaneceu eficiente entre 2 °C e 5 °C.

A comparação foi feita com a luciferase da espécie de águas rasas Renilla reniformis, que atinge seu pico de atividade próximo dos 25 °C. Segundo os pesquisadores, o desempenho da AnmLuc em baixas temperaturas amplia o conhecimento sobre a evolução da bioluminescência e pode favorecer a criação de biossensores e sistemas moleculares para acompanhar processos celulares e o avanço de doenças.

A coleta ocorreu durante o projeto Deep Ocean, apoiado pelo programa BIOTA-FAPESP e coordenado por Marcelo Roberto Souto de Melo, do Instituto Oceanográfico da USP. Com uma rede de arrasto de cerca de 20 metros de abertura, a equipe recolheu organismos em profundidades entre 200 e 1.500 metros.

A pena-do-mar foi encontrada a cerca de 1.100 metros. Como os pesquisadores não sabiam quais animais emitiam luz, os exemplares foram testados em uma sala escura a bordo. Gabriela Amancio Galeazzo observou que o coral emitia luz verde quando estimulado.

Investigação molecular

Para localizar a enzima, os pesquisadores analisaram o transcriptoma do coral, conjunto de moléculas de RNA que indica quais genes estavam ativos. A sequência candidata foi inserida na bactéria Escherichia coli para que a proteína fosse produzida em laboratório.

O processo exigiu mais de um ano de testes. Inicialmente, a bactéria produzia a enzima de forma insolúvel. A produção adequada só ocorreu após o uso de uma linhagem bacteriana modificada para operar em baixas temperaturas.

Embora o coral vivo tenha emitido luz verde, a AnmLuc purificada produziu luz azul em laboratório. Os pesquisadores avaliam que uma proteína fluorescente acessória possa absorver a luz azul e reemiti-la na cor verde. A identificação dessa possível proteína ainda está em andamento.

O estudo foi desenvolvido a partir da pesquisa de doutorado de Gabriela Amancio Galeazzo, nos institutos Oceanográfico e de Química da USP, sob orientação de Anderson Garbuglio de Oliveira. Também participaram pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Universidade Federal do ABC (UFABC).

Luciferases são usadas em pesquisas biomédicas como marcadores biológicos. A luz gerada pela reação permite acompanhar processos celulares e moleculares em tempo real. Para Oliveira, “a AnmLuc funciona bem no frio”, característica que pode ser aproveitada em sistemas biotecnológicos desenvolvidos para operar nessas faixas de temperatura.

Texto produzido pela Redação Rota do Saber com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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