Microrganismos encontrados em águas profundas do Japão sobreviveram a uma simulação das condições do oceano subterrâneo de Encélado, uma das luas de Saturno. O ambiente reproduzido era composto por água salgada e alcalina, com características associadas ao interior do satélite coberto por gelo.
Os seres testados pertencem à espécie Methanothermococcus okinawensis. Eles vivem próximos a fontes hidrotermais no fundo do oceano e transformam hidrogênio e dióxido de carbono em metano. No experimento, permaneceram vivos mesmo quando submetidos a condições mais extremas do que aquelas observadas em seu ambiente natural na Terra.
Como o ambiente foi reproduzido
A equipe liderada por William Orsi, professor de geomicrobiologia na Universidade Ludwig-Maximilian, em Munique, combinou água, sais, carbonatos e pó de rochas. A mistura criou uma versão em miniatura do oceano de Encélado. A interação entre a água e as rochas também gerou hidrogênio na solução.
Depois, os pesquisadores inseriram os microrganismos metanógenos na água simulada. A sobrevivência dos organismos indicou que um ambiente com essas características poderia oferecer condições para a existência de seres semelhantes.
Por que Encélado é estudado
A lua tem uma camada de gelo sobre um oceano subterrâneo. Gêiseres lançam água desse reservatório para fora da superfície congelada, característica que contribuiu para o interesse científico no satélite e na possibilidade de encontrar vida fora da Terra.
Nos anos 2000, a Nasa enviou a nave Cassini para estudar Saturno. Com observações do Telescópio Espacial James Webb, a agência identificou os gêiseres de Encélado. A Cassini também coletou amostras da água expelida pela lua, cuja análise encontrou traços de compostos orgânicos.
Para Orsi, os resultados indicam uma possibilidade a ser considerada em futuras buscas. “Se usarmos a definição celular de vida que entendemos hoje na Terra, os experimentos mostram que esses organismos, ou algo similar a eles, se estivessem em Encélado, teriam uma grande chance de sobreviver”, afirmou o pesquisador.







