Uma pesquisa propõe que Vênus pode ter tido uma Lua no passado, mas o satélite teria sido atraído e incorporado ao planeta por causa da rotação lenta do corpo celeste. A hipótese busca explicar por que Vênus não tem satélites, uma característica incomum entre os planetas do Sistema Solar.
O estudo foi publicado na última segunda-feira, 14, na revista The Astrophysical Journal e liderado pelo astrofísico Stephen Krane, da Universidade da Califórnia, Riverside. Os pesquisadores usaram modelos computacionais baseados na física de Vênus para simular a gravidade e as forças que atuariam caso o planeta tivesse um satélite.
De acordo com Krane, Vênus provavelmente teve uma Lua em algum momento, mas “ele não conseguiria mantê-la”. Nas simulações, a atração gravitacional teria feito o satélite perder energia e cair no planeta em um período de tempo relativamente curto.
A diferença em relação à Terra estaria na velocidade de rotação. A Terra completa uma volta em torno do próprio eixo em 24 horas, enquanto Vênus leva quase 243 dias na Terra para realizar o mesmo movimento. Essa lentidão favoreceria uma transferência de energia capaz de puxar o satélite para o planeta. No caso terrestre, a rotação mais rápida empurra gradualmente a Lua para longe.
Hipótese sobre a origem do satélite
O possível episódio de incorporação teria ocorrido nos primeiros bilhões de anos da história de Vênus, cerca de 4,5 bilhões de anos atrás. Antes dessa proposta, teorias sugeriam que o planeta nunca havia tido uma Lua ou que um eventual satélite teria sido destruído por um impacto.
O estudo não confirma que Vênus tenha tido uma Lua. Uma hipótese sobre o início do Sistema Solar afirma que uma colisão com um corpo rochoso teria formado a Lua da Terra, e o mesmo evento poderia ter atingido Vênus.
Vênus é um dos corpos mais brilhantes no céu noturno, depois do Sol e da Lua. O planeta é considerado semelhante à Terra, mas tem uma camada espessa de atmosfera tóxica, responsável por um efeito de estufa que eleva as temperaturas da superfície a até 471ºC.







