Raoni Metuktire, conhecido como Cacique Raoni, é uma das principais lideranças indígenas do Brasil. Integrante do povo Kayapó, também chamado de Mebêngôkre, ele atua há décadas na defesa dos direitos indígenas, da demarcação de territórios e da preservação da Amazônia.
Nascido por volta de 1930, em uma antiga aldeia de seu povo no nordeste do Mato Grosso, Raoni teve os primeiros contatos com pessoas brancas entre 1953 e 1954. Na ocasião, conheceu os irmãos Orlando e Cláudio Villas-Boas, com quem aprendeu a falar português. A partir desse período, passou a exercer o papel de interlocutor entre os Kayapó e a sociedade não indígena.
Sua trajetória de ativismo começou na década de 1950. Em 1971, Raoni e os Metyktire resistiram à construção da BR-080, que afetou uma parte do Parque Indígena do Xingu. Em 1984, ele reivindicou a demarcação de uma área do território Mebêngôkre às margens do Rio Xingu. Durante a mobilização, seu povo apreendeu uma balsa e bloqueou a estrada por mais de um mês. Depois, Raoni foi a Brasília para assinar um acordo com o então ministro do Interior, Mario Andreazza.
Atuação política e ambiental
Raoni participou da defesa da inclusão dos direitos indígenas na Constituição Federal de 1988. No ano seguinte, mobilizou a imprensa internacional durante o 1º Encontro dos Povos Indígenas do Xingu, realizado em Altamira, no Pará. O encontro foi marcado pela oposição à construção do Complexo Hidrelétrico do Xingu, e Raoni passou a liderar a resistência à Usina Hidrelétrica de Belo Monte.
A partir de 1980, desenvolveu uma campanha internacional em defesa da Amazônia ao lado do cantor inglês Sting. Os dois viajaram por 17 países e receberam apoio de lideranças como François Mitterrand, Juan Carlos, Charles e o Papa João Paulo II. Em 2019, Raoni também encabeçou uma campanha contra o desmatamento, as ameaças do agronegócio, os garimpeiros e os madeireiros.
Reconhecimento e legado
A história de Raoni foi retratada no documentário Raoni, dirigido por Jean-Pierre Dutilleux e Luiz Carlos Saldanha. O filme foi indicado ao Oscar na categoria de Melhor Documentário. O líder indígena também criou o evento anual “Em defesa da Terra”, que reúne indígenas, líderes políticos e outras autoridades para discutir demarcação e mudanças climáticas.
Entre os reconhecimentos recebidos estão o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Mato Grosso, a indicação ao Prêmio Nobel da Paz, o título de Membro Honorário da União Internacional para a Conservação da Natureza e a Ordem Nacional do Mérito, no Grau de Grã-Cruz.
Raoni vive na aldeia Piaraçu, na Terra Indígena Capoto-Jarina, no Mato Grosso. Ele usa o botoque, um disco de madeira colocado no lábio inferior, associado à oratória e à comunicação verbal entre os Kayapó.








