BRASÍLIA — O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) discute mudanças na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) que podem começar em 2028. A proposta ainda não foi oficializada e passará por debates técnicos até o final do ano.
A ideia apresentada pelo órgão prevê substituir o texto único de até 30 linhas por produções menores, distribuídas pelas quatro áreas do conhecimento. O modelo em discussão considera 20 linhas em Linguagens, 10 em Ciências Humanas, 10 em Ciências da Natureza e 10 em Matemática, totalizando 50 linhas de escrita ao longo da prova.
Novo formato em avaliação
As discussões foram apresentadas em reunião realizada na última quarta-feira (16), em Brasília, e abrangem também gêneros textuais diferentes. Entre as possibilidades está a inclusão de questões discursivas, nas quais o estudante teria de escrever respostas ou resumir textos para demonstrar capacidade de leitura e síntese.
Com a mudança, a avaliação deixaria de se concentrar apenas no domínio do texto dissertativo-argumentativo. O estudante poderia ser solicitado a explicar um fenômeno científico, justificar um raciocínio matemático ou elaborar um relatório, conforme a área do conhecimento abordada.
Para Rafael Secker, coordenador do Ensino Médio da Escola Americana de Vitória (EAV), a divisão da redação permitiria avaliar o uso da linguagem em situações práticas. Ele também afirmou que o novo formato pode reduzir a dependência de modelos prontos e de citações coringa.
Como é a prova atualmente
Hoje, o Enem tem 180 questões de múltipla escolha divididas entre Linguagens, Ciências Humanas, Ciências da Natureza e Matemática. A redação é um texto dissertativo-argumentativo de até 30 linhas sobre um único tema de ordem social, científica, cultural ou política. A nota chega a 1000 pontos e considera cinco competências.
O resultado pode ser usado para ingresso em universidades públicas pelo Sisu, obtenção de bolsas pelo Prouni ou financiamento pelo Fies. A proposta de atualização pretende alinhar o exame ao Novo Ensino Médio e à Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
Adaptação dos estudantes
A professora de Redação Raquel Frontelmo avaliou que mudanças podem contribuir para a equidade entre os participantes, mas alertou para o período de adaptação. Segundo ela, estudantes que já estão no ensino médio treinam a escrita no formato tradicional de 30 linhas e podem ter pouco tempo para aprender a nova estrutura.
A produção textual também passaria a ser intercalada com a resolução das questões objetivas, em vez de aparecer como uma tarefa isolada. Para os especialistas citados, essa dinâmica exigiria mais foco e resistência mental. A confirmação do formato dependerá das discussões técnicas conduzidas pelo Inep.








