Anêmonas, pequenos corais e crustáceos passaram a ocupar recipientes metálicos depositados no fundo do Oceano Atlântico. A descoberta foi registrada por pesquisadores do projeto NODSSUM, que também identificaram sinais de corrosão e liberação de resíduos no sedimento ao redor das estruturas.
A espécie de anêmona Actinoscyphia aurelia cresceu diretamente sobre o metal deteriorado. Caranguejos e outros animais móveis circulam pelos restos expostos, enquanto organismos bentônicos aderiram às paredes dos recipientes. As imagens ainda mostram fissuras na blindagem, indicando a ruptura do confinamento mecânico original.
Investigação nas planícies abissais
A expedição utilizou o navio oceanográfico Pourquoi Pas para chegar às coordenadas dos antigos depósitos. Sonares foram empregados no mapeamento acústico do solo marinho e na localização dos conjuntos de barris.
Com o submersível tripulado Nautile, os pesquisadores fizeram vinte descidas até uma profundidade superior a quatro mil e setecentos metros. Durante a operação, foram coletadas amostras físicas e produzidos registros visuais dos cilindros sob pressão hidrostática.
Resíduos no sedimento
Análises de amostras de água detectaram isótopos artificiais liberados no sedimento próximo às carcaças. Medições espectrométricas encontraram traços de cobalto e césio, indicando a transferência gradual de partículas radioativas para o ambiente profundo.
A pesquisa aponta que o soterramento dos contaminantes ocorre lentamente. Com isso, os radionuclídeos permanecem em contato com a fauna bentônica. Animais que escavam a lama podem revolver e redistribuir as partículas, enquanto correntes abissais transportam frações solúveis para além da área inicial. Argilas do fundo retêm temporariamente parte dessas substâncias por adsorção mineral.
Origem dos recipientes
Durante a Guerra Fria, nações europeias usaram o despejo marítimo para descartar resíduos industriais e científicos relacionados a instalações atômicas. Os recipientes foram blindados com cimento sob a expectativa de que a extensão do oceano neutralizasse possíveis vazamentos ao longo do tempo.
Novas campanhas oceanográficas serão organizadas para verificar se a radioatividade está sendo transferida pela cadeia alimentar marinha. Laboratórios analisam tecidos biológicos coletados durante a missão para determinar o nível de contaminação e avaliar a segurança ecológica do ecossistema. O monitoramento contínuo do leito oceânico também está previsto para acompanhar o legado industrial do século passado.







