O tamanduá-bandeira exerce um papel ecológico ligado ao controle de formigas e cupins, insetos que fazem parte de sua alimentação. Ao predar essas espécies, o mamífero participa das relações naturais entre os animais e ajuda a evitar o crescimento descontrolado dessas populações, com efeitos sobre o solo e a vegetação.
A avaliação é do médico veterinário Fernando Resende, professor do Centro Universitário de Brasília (UNICEPLAC). “O tamanduá-bandeira tem uma função ecológica importante porque participa das relações de predação e ajuda a manter a dinâmica das comunidades”, afirma.
Alimentação e comportamento
A espécie não tem dentes. Para alcançar o alimento, usa as garras para abrir formigueiros e cupinzeiros e captura os insetos com a língua longa e pegajosa. O tamanduá passa pouco tempo em cada ninho, o que reduz a possibilidade de destruição completa das colônias antes de seguir para outro local.
Segundo André Faria Mendonça, do departamento de ecologia da Universidade de Brasília (UnB), a quantidade de formigas e cupins também depende de fatores como o clima e as características do ambiente. Por isso, mesmo consumindo grandes quantidades, o animal não elimina essas populações.
A zoóloga Ana Cristina Mendes de Oliveira, professora do Laboratório de Ecologia e Zoologia de Vertebrados da Universidade Federal do Pará (UFPA), afirma que a circulação do tamanduá por diferentes áreas amplia sua interação com o ambiente e contribui para a regulação das colônias.
Solitário, o mamífero pode ser ativo durante o dia ou à noite. A presença em dupla costuma ocorrer em períodos de reprodução ou quando a fêmea está acompanhada do filhote. A espécie ocupa áreas abertas e florestas, mas depende de espaços extensos e preservados.
Ameaças à espécie
Dados do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) indicam que o tamanduá-bandeira desapareceu de algumas regiões e teve redução populacional em outras. No Brasil, é classificado como vulnerável à extinção.
A perda e a fragmentação do habitat estão entre os principais fatores de risco. A expansão da agricultura, a construção de estradas e os incêndios reduzem as áreas naturais e dificultam o deslocamento. Como percorre grandes distâncias, o animal fica mais exposto ao atravessar rodovias.
A reprodução também limita a recuperação das populações. Geralmente, nasce um filhote por gestação, seguido por um período prolongado de cuidado materno. Para Fernando Resende, proteger a espécie envolve preservar os ambientes dos quais ela depende.







