O Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) determinou que a Meta preserve dados relacionados ao perfil pessoal do governador licenciado Jorginho Mello. A medida atende a um pedido da Coligação Santa Catarina com Lula e Contra o Extremismo (PDT/PSB/Federação Brasil da Esperança/Federação PSOL Rede), apresentado em uma Ação de Produção Antecipada de Provas.
A decisão, sob relatoria do Desembargador Eleitoral Márcio Schiefler Fontes, exige a preservação de logs de acesso, registros financeiros e informações sobre impulsionamentos realizados na conta pessoal do governador ao longo deste ano. O TRE-SC, por enquanto, negou pedidos de busca ampla e de exibição imediata dos dados.
O procedimento trata da suspeita de que a estrutura pública tenha sido usada para administrar e promover perfis pessoais de Jorginho Mello. A coligação afirma que servidores comissionados da Secretaria de Comunicação poderiam atuar formalmente na gestão da conta e no impulsionamento de publicações associadas ao governador.
Servidores e contratos citados
Dados do portal da transparência indicam que pelo menos três profissionais ligados direta ou indiretamente ao Governo do Estado aparecem associados às contas pessoais e ao site particular de Jorginho Mello.
Entre os nomes está Eduardo Cordini Valente, funcionário da Secretaria de Comunicação desde janeiro de 2023, com salário de R$ 18.517,10. Ele é apontado como responsável pelo registro do domínio do site oficial do governador e também aparece em registros de atividades do PL como fotógrafo. Em 2025, recebeu R$ 9 mil do fundo partidário do partido. Em 2024, teve o mesmo valor.
Outro nome citado é Jacqueline Junges Nunes da Silva, servidora comissionada que atua como conselheira na Secretaria de Infraestrutura. O número de telefone associado a ela aparece nos anúncios mais recentes de impulsionamento da campanha de Jorginho Mello na conta pessoal do governador. A servidora tem remuneração de R$ 4.236 e recebe Jeton desde novembro de 2024.
Atos registrados no Diário Oficial em setembro de 2024 e outubro de 2025 qualificam Jacqueline para integrar a Junta Administrativa de Recursos de Infrações da Secretaria de Estado da Infraestrutura e Mobilidade de Santa Catarina, com “notório conhecimento em trânsito”. Em 2025, ela recebeu R$ 104.392,43 do fundo partidário do PL em Santa Catarina. No ano anterior, recebeu pouco mais de R$ 87 mil.
A agência Eldonita também aparece relacionada à atuação digital do governador. Segundo dados divulgados pela plataforma Zeeng, em agosto de 2026 Jorginho Mello estava entre os 100 políticos mais influentes nas redes sociais no país.
Diferença entre as contas
A conta oficial do Governo de Santa Catarina utiliza outro número de telefone e um e-mail institucional com domínio gov.br. As publicações são diferentes das veiculadas no perfil pessoal e nominal do governador, que tem cerca de 200 mil seguidores a mais.
Um dos conteúdos associados ao contato de Jacqueline usa Inteligência Artificial para apresentar Jorginho Mello como o personagem Homem Aranha. Em outra publicação impulsionada, vinculada ao contato de Igor, o governador responde a críticas sobre o anúncio de uma obra em ano eleitoral.
O secretário de Comunicação licenciado, Bruno Oliveira, já defendeu publicamente a estratégia de promover as contas pessoais de gestores. Em 2024, ao comentar a divulgação do então prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, afirmou: “Se ele chega numa campanha à reeleição e as pessoas não sabem quem é o prefeito, naturalmente as pessoas vão dizer ‘esse prefeito não fez nada.”
Objetivo da ação
Por se tratar de uma Ação de Produção Antecipada de Provas, o relator explicou que o procedimento busca permitir o conhecimento prévio de fatos. A decisão não analisa de forma definitiva a ocorrência de irregularidades. Conforme registrado pelo desembargador, não há “valoração aprofundada sobre o mérito, tampouco declaração acerca da ocorrência de ilícito”.
A coligação pretende obter informações que possam ser apagadas ou alteradas e, posteriormente, verificar se recursos, servidores e infraestrutura pública foram usados para administrar e divulgar os perfis pessoais do governador, em possível relação com seu projeto de reeleição em 2026.
Em 2025, o Superior Tribunal de Justiça analisou caso envolvendo o ex-governador de São Paulo João Doria. A decisão considerou que ele poderia ter incorrido em problema semelhante ao divulgar, em redes sociais, imagens publicitárias de um programa enquanto ainda era prefeito, com possível objetivo de autopromoção.







