ANTOFAGASTA — Imagens capturadas por satélites da Nasa registraram a expansão da neve pelo Deserto do Atacama após duas tempestades de inverno consecutivas. A segunda alcançou uma área ainda maior e levou à suspensão das operações de alguns observatórios astronômicos das regiões atingidas.
Uma fotografia feita em 19 de agosto mostra a cobertura de neve partindo dos Andes, atravessando o núcleo hiperárido do deserto e chegando perto da costa do Pacífico, ao sul da cidade chilena de Antofagasta. O alcance do fenômeno foi considerado incomum para uma região tipicamente árida.
Observatórios em modo de proteção
O planalto de Chajnantor, onde está instalado o radiotelescópio Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), também foi coberto. A primeira tempestade suspendeu as atividades do observatório, que entrou em modo de proteção contra intempéries.
Registros de satélite feitos em 6 e 14 de agosto permitem comparar a paisagem antes e depois da passagem da tempestade. A primeira ocorrência se estendeu dos Andes até áreas próximas da costa do Pacífico. A segunda tempestade aconteceu na segunda quinzena de agosto e ampliou a faixa atingida.
Quedas de neve já foram registradas no Atacama em 2011 e em outro evento anterior, mas a ocorrência atual se diferenciou pela extensão da área coberta. O fenômeno alcançou o deserto, a faixa costeira e os Andes.
Formação das tempestades
René Garreaud, cientista atmosférico da Universidade do Chile, explicou que muitas tempestades de inverno começam com baixas isoladas: porções de ar de baixa pressão que se desprendem da corrente de jato principal e passam a girar de forma independente.
No evento de 2026, essa baixa se separou de uma área de baixa pressão excepcionalmente grande. A combinação com a umidade costeira gerou precipitação em uma área ampla, incluindo o alto-mar, a costa, o Atacama e os Andes. “Os totais atingiram uma magnitude raramente vista nesta região”, afirmou Garreaud.







