Deixar os saruês em paz e evitar oferecer alimento são as principais orientações para quem encontrar esses animais no campus da Universidade de Brasília (UnB). A recomendação faz parte do projeto Saruês da UnB, criado para reunir informações sobre a presença da espécie e sua relação com o ambiente urbano.
A iniciativa de ciência cidadã recebe fotografias e vídeos enviados por alunos, professores e funcionários por meio de um formulário online. No registro, é possível informar o local e a data do avistamento, descrever o que o animal fazia e indicar se havia filhotes.
O projeto começou após uma demanda da Secretaria de Meio Ambiente da universidade. A ideia inicial era elaborar um plano de conservação e manejo dos saruês. Para isso, os pesquisadores passaram a levantar os pontos em que os animais circulam. A etapa inicial foi realizada com entrevistas com servidores e trabalhadores do campus. Agora, a comunidade acadêmica participa diretamente da coleta de dados.
“Eles são bastante comuns em áreas urbanas, principalmente em locais com áreas verdes, como a UnB”, afirma o professor André Faria Mendonça, do departamento de Ecologia da universidade. Ele desenvolve a iniciativa com a professora Ludmilla Aguiar, do departamento de Zoologia.
Segundo Mendonça, os saruês conseguem se adaptar a ambientes modificados. A alimentação pode incluir frutos, insetos e pequenos animais, além de restos de comida disponíveis nas cidades. A presença de vegetação, abrigo e alimento contribui para que o campus seja favorável à espécie.
Em geral, os animais fogem ou se escondem quando percebem a presença humana e não representam risco para as pessoas. Ludmilla orienta que eles sejam deixados no local, sem tentativa de interação. “Eles não atacam as pessoas, é só a gente deixar e respeitá-los lá, andando no lugar deles.”
Animais feridos ou em situação de risco devem ser encaminhados aos órgãos responsáveis pela fauna silvestre. A pesquisa depende dos registros da comunidade porque não é possível acompanhar todos os espaços ao mesmo tempo. Com a reunião das informações, os pesquisadores pretendem identificar as áreas utilizadas pelos saruês e os horários em que aparecem com mais frequência. Os dados também podem apoiar pesquisas futuras e ações de conservação dentro da universidade.







